Tapete de boa-vindas, por Cristiano Lima

Bolsonaro e ministros usam máscara de forma inadequada em ...


A relação que o governo do Brasil estabeleceu com o tratamento da Pandemia, sempre foi muito estranha, ao se tratar no combate ao vírus que invadiu o mundo e vem causando mortes e sofrimento por todo o planeta.

O percurso que o vírus percorreu até chegar ao Brasil nos garantiu tempo hábil para formulação de estratégias de combate à proliferação da doença em território brasileiro.

As evidências do estrago que a pandemia fez na Ásia e na Europa foram exemplos suficientes para adoção de medidas emergenciais de resguardo à chegada do vírus no Brasil. Mas ao contrário disso o governo brasileiro agiu como se fossemos imunes! Ignorou a potência mortal que atravessava países e continentes até chegar ao Brasil. Não executou ou estimulou políticas públicas de conscientização para prevenção ao risco eminente que já estava tão próximo.

Era necessário no mínimo um planejamento estratégico, pois há de se reconhecer que o vírus não foi uma surpresa em território brasileiro. Muito pelo contrário ele avisou, através de seu avanço a passos largos de país em país, continente a continente.

O fato é que o governo brasileiro teve tempo para preparar o país. Mas o que aconteceu, foi uma total ignorância a tragédia que ocorria no planeta.

O surgimento do primeiro caso no Brasil, após meses do conhecimento do vírus pelo mundo e de ter causado perdas humanas que são irrecuperáveis, mais o colapso econômico que desnudou a política neoliberal, não serviram de alerta ao governo que se manteve ignorante à ameaça mortal que já circulava pelo país. Ao contrário, Bolsonaro, colocou a vida das pessoas em segundo plano em função da economia.

Bolsonaro deu então seu primeiro passo na direção contrária a vida, classificando o vírus como uma “gripezinha”. O que pode ser entendido como um tapete de boas vindas à pandemia no Brasil.

De lá para cá as investidas do governo Bolsonaro tem deixado o Brasil cada vez mais descoberto e exposto a calamidade sanitária instalada e alimentada pelo desgoverno, no país.

Uma sequência de desobediências às recomendações da OMS, como ao uso de máscaras e as regras de distanciamento foram protagonizadas pelo próprio presidente que estimulou aglomerações de apoio à sua pessoa, levando centenas de simpatizantes desorientados às ruas, provocando mais risco de contaminação e proliferação do vírus.

A instabilidade política e irresponsabilidade pessoal de Bolsonaro colocou o Brasil na condição perplexa de trocas sucessivas de ministros no Ministério da Saúde, que afirmavam ser contrários às medidas impostas para o tratamento da crise sanitária pelo presidente. Bolsonaro sempre se colocou como defensor ferrenho do uso da cloroquina para o tratamento da Covid19, mesmo sem qualquer respaldo científico. De forma autoritária, enfiou goela a dentro dos cofres públicos a compra de milhares de comprimidos do medicamento oriundo dos EUA.

A situação do Brasil se tornou mais delicada com a saída de Nelson Teich que ocupava o lugar de Mandetta, que ao sair pediu proteção divina ao Brasil. A vaga de ministro da saúde vem sendo ocupada por Eduardo Pazuello, ministro interino e militar.

Sob essas condições o Brasil então completa quase 2 meses sem um ministro da saúde titular na pasta, isso em plena pandemia.

A situação se agrava, ainda mais, com uma atitude, no mínimo, estranha de Bolsonaro que após sancionar a lei que garante a obrigatoriedade do uso de máscaras, acrescentou vetos em alguns pontos fundamentais colocados na lei para a preservação da vida.

Com estes vetos Bolsonaro desobriga o uso de máscaras em templos, mercados e outros lugares fechados, alegando respeito à propriedade privada. Não satisfeito, ainda, desobriga a distribuição, gratuita pelo governo de máscaras às populações mais pobres.

Com tudo isso Bolsonaro continua estendendo o tapete de boas-vindas à Covid19 e fechando as portas do Brasil para o mundo. Ou mais cabível, o Brasil com Bolsonaro se tornou uma ameaça ao mundo.

“E daí?”
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Cristiano Lima é Educador, graduando em Geografia pela UERJ/CEDERJ e Escritor.

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