A boiada de Guedes quer passar, por Cristiano Lima

Guedes quer “passar boiada” das privatizações – Hora do Povo

Quando o usurpador Temer deu início ao processo de depredação das leis que garantiam a segurança de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, deixando-os expostos aos desmandos do mercado, deu-se ali, o início de um contínuo processo destrutivo da economia com a precarização do trabalho. Situação esta que só vem se agravando desde então.

A Reforma de Temer prometia gerar mais empregos, na época foi repudiada por sindicatos, partidos de esquerda e pela Organização Internacional do Trabalho e apoiada por empresários e economistas neoliberais. O resultado da Reforma, como é sentido atualmente não deixa dúvidas de quem estava certo.

O governo Bolsonaro inflou os resultados destrutivos da Reforma Trabalhista de Temer, provocando uma aceleração na onda crescente do desemprego. A população sem perspectivas se viu obrigada a curvar-se diante do chicote da uberização. Mas o que parece uma saída para a crise do desemprego formal impulsionada pelo governo Bolsonaro, na verdade se trata de um pedido de socorro, uma alternativa que vem se tornando cada vez mais efetiva na vida de milhares de brasileiras e brasileiros que mesmo trabalhando estão desamparados.

A crise sanitária que colapsou o mundo e vem causando terror no Brasil, não foram suficientes para “startar” uma possível humanidade neste governo que vem assolando o Brasil.

Pelo contrário, ao que tudo indica a pandemia vem sendo utilizada como ferramenta aliada para  “passar a boiada” como afirmou Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, em uma reunião ministerial quando se referia ao desmatamento na Amazônia.

Esta “boiada”  não é uma infeliz conotação particular da pasta do meio ambiente. O ministro Paulo Guedes, continua com seu ataque à classe trabalhadora, e já prepara mais uma armadilha para o povo brasileiro.

Utilizando o termo “flexibilização, Guedes, dentre outras, pretende institucionalizar a remuneração do trabalho por horas. A fake dessa proposta está em gerar postos de trabalho, liberdade, autonomia e flexibilidade ao trabalhador. Ou seja, igualzinho ao que foi prometido, lá atrás com a Reforma Trabalhista, por Temer e todos aqueles que já conhecemos como traidores da nação.

A proposta de Guedes é que seja definido um valor mínimo por hora trabalhada, tendo como base o salário mínimo. Esta proposta, se aprovada, pode colocar o trabalhador em uma situação de extrema vulnerabilidade e incertezas.

Vulnerabilidade porque este trabalhador para garantir um salário mínimo terá que se desdobrar em um ou mais trabalhos, sendo assim muito provável a impossibilidade de descanso. Mas, isto, com certeza não é uma preocupação da equipe do governo, pois como já é sabido, para eles, a economia está à frente da vida humana. Além, ainda de comprometerem direitos fundamentais como férias, décimo terceiro e FGTS.

Incertezas, porque este trabalhador, submetido a este regime, não tem como garantir uma renda fixa ao final do mês, pois não terá um salário regulamentado mensal, seu salário dependerá das horas em que trabalhou.

Se analisarmos somente estes dois pontos, a vulnerabilidade e a incerteza podemos já perceber que este plano é uma faca de dois gumes e sem cabo. Ou seja, fere o trabalhador e a própria economia, pois a precarização do trabalho, adoece o trabalhador, prejudicando sua renda e logo em consequência a própria economia.

O que muitos empresários relutam a enxergar, talvez por uma ambição cegueira é que não existe economia forte com o trabalhador doente. Quem consome e movimenta a maior parte da economia do país, é a maioria da classe trabalhadora. Apoiar o esmagamento desta classe é observar parado o seu próprio barco afundar, estando dentro dele.

São estes pequenos e médios empresários que dependem não só da força de trabalho, mas também da renda do trabalhador que precisam ficar atentos as manobras desse governo que já provou que não se preocupa com a pequena e média empresa.
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Cristiano Lima é Educador, graduando em Geografia pela UERJ/CEDERJ e Escritor.

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