PEC da desvinculação: onde se lê "desvinculação", leia-se "segregação", por Cristiano Lima


Nem mesmo nos maiores e medonhos pesadelos, nós  progressistas, podíamos imaginar ficar diante de tamanha monstruosidade e aberração, capaz de utilizar todos os meios para levar o povo à  mais precária condição de sobrevivência.

Se passamos por um regime militar, Sarney, Collor, FHC, sofrendo duros açoites fomos cuidados e recebemos a mão estendida na fase PT.

Para destruir tudo aquilo que foi promovido em beneficio do povo o (des) governo bolsonarista, dando continuidade ao governo ilegítimo de Temer, que se diga de passagem, “ninguém sabe, ninguém viu”, acrescenta mais um ingrediente nesse bolo azedo que insistem em servir ao Brasil:

A “PEC da desvinculação” que parece ser mais um tentáculo da PEC dos horrores, (aquela que congela investimentos em segmentos básicos por 20 anos), vem para esmagar e sufocar o pobre.

Anunciada e vendida pela mídia de forma ofensiva à dignidade humana e menosprezando a nossa inteligência, propõe o ideal neoliberal, o ameaçador e sonho de uma politica excludente oestado mínimo.

A proposta da PEC da desvinculação,  aliada a reforma da previdência, sendo aprovadas, coloca os mais empobrecidos sob a determinação  de um presente e futuro sem perspectivas, jogado a condição  de sempre explorado enquanto jovem e tido como um peso aos olhos capitalistas na velhice.

A PEC como o próprio nome diz, retira a obrigação por parte do Estado, de investimentos em segmentos básicos e garantidos por aquela que está  presa ao pelourinho desde o golpe de 2016: A Constituição Federal de 1988.

Diante disso, a proposta bolsonariana alarga a distância entre ricos e pobres além de provocar um Estado onde a premissa válida, no caso da educação, que aqui vou me ater, será: “Ensino de qualidade é para quem paga e paga bem!”

O que isso quer dizer?

Ora, se o Estado deixa de lado a obrigação  de investir, repassa para iniciativa privada, que dentro de sua lógica  seletiva, escolhe por valor pago.

Os mais empobrecidos, aqueles, que não  possuírem condições  de custear a educação de seus filhos, muito provavelmente,receberão  alguma ajuda de custo que os direcionarás escolas e ensinos mais precários.Ou seja, de acordo com aquilo que vão pagar com a ajuda de custo.

É a mercantilização do ensino, para os professores, profissionais da educação,  também , muito certo não será  diferente. A desigualdade salarial, é  um fator indissociável.

O sistema que quer ser implantado por Bolsonaro e Guedes, e visto com bons olhos por Mourão  e toda a rede especuladora capitalista é  grande fomentador da segregação e exclusão.

Símbolo da campanha, a ideia de acabar com privilégios sempre foi e agora se confirma em liquidar os direitos adquiridos à  base de suor e sangue, dor e perseguição. Os privilégios  que tanto gritam se refletem na aposentadoria, educação e proteção  contra o trabalho escravo.

Atentos! Esta PEC da segregação também enxerga com muitos maus olhos a saúde, no que concerne ao SUS.
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Cristiano Lima é Educador, graduando em Geografia pela UERJ/CEDERJ e Escritor.

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