Análise da atual correlação de forças, por Val Carvalho

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Até agora os banqueiros e o capital estrangeiro têm dominado tranquilamente por meio da ditadura de toga, de um governo corrupto e da narrativa manipuladora da mídia golpista. À exceção, ainda, da reforma da Previdência, eles conseguiram tudo o que queriam, sem maiores reações do povo brasileiro.

Mas o movimento golpista que tenta tirar Lula das eleições pode mudar esse quadro de aparente tranquilidade. Sem Lula, Bolsonaro é o favorito e já está no segundo turno. Se eleito presidente, Bolsonaro será um elemento perturbador dessa “pax neoliberal”. Ele vai adotar a repressão aberta e as execuções como forma de governo, colocando desnecessariamente, na visão daquelas elites, pimenta no tempero insosso do que foi até agora o governo golpista de Temer. Bolsonaro vai aprofundar a contradição barbárie x democracia e ampliar como nunca o bloco de forças que passará a aspirar a volta do regime democrático e o fim do governo fascista.

Mesmo assim as elites golpistas preferem o cachorro louco Bolsonaro ao seu inimigo de classe Lula, que traria equilíbrio político, mas também a indesejada inclusão social e a “perigosa” participação popular. O fato inegável é que as elites golpistas vão para essas eleições sem seu plano A e não têm um plano B confiável.

A chave da saída do impasse atual está no segundo nome do segundo turno. Se este nome ganhar a eleição para presidente, ou a porta da democracia será escancarada, se for Lula ou alguém indicado por ele, ou a porta ficará entreaberta, o que também não convém para os golpistas, pois o campo democrático poderá arrombá-la posteriormente. Algo parecido com o que aconteceu contra a ditadura, primeiro no Colégio Eleitoral em 1985 e mais tarde, na Constituinte de 1988, com a aprovação da Constituição Cidadã.

De qualquer modo a sustentabilidade política do regime iniciado com o golpe do impeachment não está assegurada, como querem as elites reacionárias o os interesses geopolíticos do Império americano.
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Val Carvalho é militante histórico do Partido dos Trabalhadores.

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