Pezão loteou o governo entre aliados às vésperas da venda da CEDAE, por Leandro Resende

Publicado originalmente na CBN.


Às vésperas da votação do projeto de lei que privatizou a CEDAE, o governador Luiz Fernando Pezão loteou o governo entre aliados nas secretarias e subsecretarias do estado, permitindo a nomeação até para cargos que já não existem mais. Pelo menos oito parlamentares tiveram indicações para cargos na administração estadual nas últimas semanas. Todos votaram a favor da privatização.A lista é longa: Pedro Fernandes, deputado estadual do PMDB e um dos que causou problemas para base de Pezão na ALERJ, foi nomeado titular da nova secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social. Uma vez na pasta, nomeou um antigo assessor para o cargo de presidente da Comissão Estadual da Verdade. Mas a lei que aprovou a criação da comissão previa o encerramento dos trabalhos ainda em 2015. O cargo, no entanto, continua existindo, e Pedro Fernandes nomeou seu ex-assessor Ulisses Martins Gomes, semana passada. A última presidente da Comissão da Verdade foi Rosa Cardoso, exonerada em março de 2016. A alegação da secretaria é que esse cargo terá o nome alterado em breve.

Na mesma secretaria está Átila Alexandre Nunes, filho do deputado estadual Átila Nunes, também do PMDB. Ele foi nomeado subsecretário de Direitos Humanos no fim do mês passado, causando apreensão entre os remanescentes da secretaria pelo alto número de indicações e nomeações que foram feitas para a área. Internamente, peemedebistas dizem que, na recomposição do secretariado de Pezão, o deputado Átila Nunes teria pressionado para indicar aliados para pasta. Fato é que funcionou: na sexta-feira a CBN mostrou que o deputado votaria contra a privatização da CEDAE, mas ontem ele votou a favor, como queria o governo.

O mesmo caso aconteceu com o deputado Coronel Jairo, também do PMDB. Ele disse que votaria contra a privatização para a nossa reportagem, mas ontem votou a favor. Na certa se lembrou que, na semana passada a sua filha, Thalita  Fernandes Santos, foi nomeada subsecretária administrativa da antiga Secretaria Estadual de Envelhecimento Saudável, extinta sob o argumento de corte de gastos, mas cujos cargos continuam existindo.

Além do PMDB, Pezão precisou agradar o PP, do vice Francisco Dornelles, para reformar sua base aliada. Assim, garantiu mais três votos para privatizar a CEDAE. Christino Áureo, deputado que estava na secretaria de Agricultura, foi para Casa Civil. Virou o número 2 do governo estadual e colocou Marcelo Cid Heráclito Queiróz, vereador não eleito por seu partido, na chefia de gabinete. O PP continuou com a pasta de agricultura, já desde o começo do mês, com o deputado estadual Jair Bittencourt. E lá chegando, o parlamentar não esqueceu dos aliados. E nomeou o ex-prefeito de São Gonçalo Neilton Mulin como diretor da Federação Instituto da Pesca do Estado do Rio.  Ele é irmão do deputado Nivaldo Mulim, do PR, que votou a favor da privatização.

Outras nomeações abriram espaço para aliados mais fiéis do governo, como a saída de André Lazaroni da liderança do PMDB na ALERJ para assumir a Secretaria de Estado de Cultura, e de Thiago Pampolha, do PDT, que foi para Secretaria de Esportes. Em seus lugares entraram, respectivamente, Ana Paula Rechuan e Aramis Brito, que também votaram a favor da privatização da ALERJ.  Além desses deputados, nos bastidores da ALERJ também se creditam às nomeações os votos de outros deputados como André Ceciliano, do PT, e Márcia Jeovani, do DEM.

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