
Quando afirmam que uma operação policial com 28 pessoas assassinadas foi bem sucedida significa que todas e todos estamos em perigo, por Cristiano Lima
Não é somente para ouvir, é necessário refletir sobre o momento em que vivemos: Quando o subsecretário de planejamento e integração operacional e o governador afirmam que uma operação policial (como eles denominam) em que pelo menos 28 pessoas foram brutalmente assassinadas, foi bem planejada e executada significa que todas e todos estamos em perigo.
Sim, é a legitimação da barbárie, do extermínio e de um prejulgamento onde Juiz e o suposto réu se encontram em becos, vielas ou residências humildes, onde a batida do martelo, dando a sentença à alguém que sequer teve direito de defesa, advogado, ou justiça, é dado pelo som dos disparos de uma pistola ou fuzil, sem direito de recurso, sem direito à prisão.
A fala do subsecretário e do governador do Estado do Rio de Janeiro, o Sr. Cláudio Castro, que já se apresenta como uma verdadeira “sementinha do mal bolsonarista” não ecoaram sozinhas, infelizmente. O vice presidente Mourão, em seu prejulgamento inflado de preconceito e ódio afirmou, sem qualquer provas, sem ao menos saber a identidade das vítimas da maior barbárie, denominada de operação policial, da história do Rio de bandidos.
Mas não podemos nos deixar cair no preconceito e ódio de classes de Mourão. O passado ou as atividades de cada vítima dessa barbárie não justificam suas mortes, Mourão, pela sua carreira militar e pelo atual cargo em que ocupa, devia veementemente defender a Constituição Federal de 1988 e cada artigo nela escrito, entre eles, o artigo 5º que reza o direito à vida, garantindo, ainda, a inexistência da pena de morte, salvo em caso de guerra declarada, o que não é o caso do Brasil. Não estamos em guerra declarada!
No entanto, Mourão, o subsecretário e o governador Cláudio Castro, infelizmente também não estavam sozinhos nesse coro por sangue seletivo, a mídia através de apresentadores sensacionalistas apresentam supostas fotografias de algumas das vítimas portando armamentos, imagens que trazem em seu significado um aceno de apoio a política do extermínio.
À reboque disso tudo vem uma parte da população, esvaziada de humanidade, que literalmente, se encontram perdidas, cegas e sob os arreios do ódio.
Porém enganam-se todos aqueles que imaginam estar à salvo da política de extermínio, o motor dessa política é o desmonte da democracia, dos direitos! A fala de que existe um “ativismo judicial” produzida pelo subsecretário de planejamento e integração operacional tem a clara intenção de desmoralizar o STF, instituição que tem como função institucional fundamental de servir como guardião da Constituição Federal de 1988 e que devido à pandemia proibiu a realização de operações em comunidades.
A desobediência por parte de instituições pode significar uma grave demonstração de que a democracia sangra em litros, e que o desejo de enfraquece-la por parte das forças antidemocráticas que infelizmente habitam o cenário político brasileiro, vem encontrando simpatizantes em representantes das forças militares, civil e da própria sociedade em geral, o que pode gerar, sem exageros, um ambiente de barbárie, desobediência, perseguição e de prejulgamentos com sentenças predefinidas destinados às classes mais empobrecidas e à todas e todos que defendam a democracia e a vida.
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Cristiano Lima é Educador, graduando em Geografia pela UERJ/CEDERJ e Escritor.
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