
Impressões ao calor da hora: oposição de volta às ruas, por Daniel Samam
As manifestações deste sábado (29M) esticam mais a corda contra Bolsonaro, já pressionado pela CPI da Covid. Aliás, havia muito tempo que não se via a oposição nas ruas contra o presidente. Que eu me lembre, desde os cortes na Educação em 2019.
O grau de irritação de brasileiras e brasileiros com a sabotagem no combate à pandemia por Bolsonaro se traduziu em atos em 21 estados, dando forma aos 54% de rejeição apontados pelo último Datafolha.
Desde o início da pandemia, apenas bolsonaristas davam as caras em manifestações antidemocráticas organizadas pelo governo.
O Brasil vive uma convergência de graves crises: econômica, energética, militar e de saúde pública, em função da pandemia. No Congresso, pelo menos por ora, o centrão segue dando sustentação ao presidente.
Foram ruas mais à esquerda, sim. Mas havia uma diversidade de extratos da sociedade civil, principalmente de classe média.
No entanto, é importante dizer que Bolsonaro recorrerá à velha tática de alardear sobre o medo do caos e da desordem, ameaçando investidas autoritárias utilizando jargões como "meu Exército" e "minha PM" para restabelecer a ordem no país.
Fato é que Bolsonaro está a cada dia mais acuado. A oposição se organizou e voltou com tudo para as ruas, mexendo no tabuleiro político e dando novo ânimo à resistência democrática.
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